Não dá para fugir dos sentimentos reprimidos

            Por muitos anos o ser humano foi ensinado que para resolver seus sintomas e sofrimentos, deveria ter o auxílio de outras pessoas, que somente alguém poderia determinar o que a pessoa sentia e explicar qual seria a fonte de seu incômodo e, portanto, resolver suas fragilidades. Fomos desconectados do nosso próprio Eu, e deixamos de ouvir nosso corpo, nossos sintomas o que necessitaríamos fazer, as decisões que precisaríamos tomar, para melhorar. 

            Esquecemos que muitas vezes os sintomas aparecem pelo mal resolvido, pelas mágoas, incômodos e frustrações, e assim, enquanto apenas queremos jogar as frustrações para debaixo do tapete, permanecemos em sintomas duradouros. 

            Hoje se sabe na neurociência que nosso inconsciente funciona em uma velocidade aproximadamente um milhão de vezes mais rápido do que o consciente, sendo assim, por mais que queiramos resolver as situações racionalmente, nosso inconsciente já gerou raiva, ansiedade, medos e etc., de forma que não conseguimos controlar. Por isso, muitas pessoas acabam por passar anos com reações antecipatórias ou impulsivas, gerando transtornos para sua vida. 

            Nossos conflitos em geral ficam armazenados em nosso inconsciente, de onde nosso cérebro gera reações instintivas de proteção, como uma tentativa de evitar que vivamos novamente uma situação. Por exemplo, se na infância, uma mulher viu seu pai se desentendendo com sua mãe, e deixa a família, e ela sofreu por gostar muito do pai, em sua vida adulta, quando ela iniciar relacionamento com um homem, quando ele viaja, ou fica estranho com ela, ou mesmo demora a chegar de um compromisso, ela automaticamente liga o alerta, e gera pensamentos antecipativos de perda ou separação, para que não seja pega de surpresa novamente com um possível novo abandono, o que pode gerar a ela, irritabilidades, pois como a dor do abandono foi muito forte, as vezes se torna mais fácil afastar as pessoas de perto de si, ou não amar completamente, do que ser pega de surpresa e sofrer novamente. Desta forma, enquanto não se resolve o primeiro conflito, o vivido com seu pai, os alertas continuarão sendo vividos. 

Há também aqueles que foram extremamente julgados no passado, que acabam por instintivamente gerar cobranças de si, querendo ser perfeito em tudo ou acabam acreditando que não é capaz, o que pode gerar pensamentos de que todos estão me julgando ou que podem vir a me julgar, ou simplesmente uma necessidade de provar que é capaz. Isto pode gerar irritabilidades ou explosões de raiva ou ainda, tristezas intensas com simples críticas. 

Tem também os medos pânicos, que podem surgir de sustos de infância, ou mesmo durante a gestação, dentro da barriga da mãe, que geram pavores a lugares fechados, água, altura ou mesmo a insetos ou a locais ou pessoas estranhas, que por mais que a pessoa racionalmente entenda que não precisaria ter medo, quando vivencia a situação, tudo foge ao controle. 

Claro que não somos conscientes dos padrões de crenças e pensamentos que nos fizeram adoecer, desta forma, não somos culpados pelos sintomas e enfermidades que temos. Entretanto, quando tomamos consciência do que nos faz mal, nos tornamos responsáveis por nós mesmos, pelos nossos sintomas, o que nem sempre é tranquilo, pois neste momento surge a obrigação de tomar decisões, que nem sempre serão agradáveis para nós e às vezes para as pessoas ao redor, neste momento, não podemos deixar na mão de outras pessoas a nossa melhora, pois agora só depende de nós. 

Você pode fugir da sua mente inconsciente como se quisesse fugir da sua sombra, mas não vai conseguir, pois por mais que tentamos esconder nosso sentimento, reprimindo-o, escondendo, sem o resolver, maior ele fica, até desencadear sintomas. 

Que tal agora olhar para as situações hoje que lhe entristecem, lhe irritam, ou lhe fazem mal de alguma forma, tentar buscar qual foi o primeiro episódio que aconteceu desta forma, assim resolvendo o conflito primário, você pode trabalhar em sua sombra, o que estava escondido, e assim se libertar de suas repetições. 

 


Dr. Ivan Bonaldo (Crefito 8/99696-F)

Fisioterapeuta e idealizador das Leis Biológicas Experience

 

Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019
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