A raiva como defesa

 

            Durante muito tempo, fomos encarando a raiva como algo ruim, destrutivo, e um sintoma desafiador a ser trabalhado, talvez pelo fato de, muitas vezes, não olharmos o motivo  deste sentimento estar ali, mas simplesmente querer eliminá-lo. 

            Quando olhamos para os animais, podemos perceber que eles apresentam no ambiente da selva, em momentos específicos, este tipo de reações de irritabilidade e raiva. Trazendo estes momentos a nossa realidade, será que faria algum sentido esta reação tão instintiva? 

            Em seu habitat natural, o animal apresenta muitas vezes a reação impulsiva de raiva em dois momentos principais, quando vai atacar outro animal para abocanhar a presa e torná-la sua, para se alimentar e quando sofre uma ameaça em seu território, onde tem que ter um impulso de raiva, com a intenção de proteger o seu espaço, o lugar onde ele pode dizer que é “seu”. 

            No mundo dos seres humanos, se pararmos para pensar não é muito diferente, os seres humanos sentem irritabilidade quando estão no impulso de buscar seu alimento, na ameaça eminente de não conseguir abocanhar a comida, como um leão que corre atrás de uma zebra e sente uma dificuldade enorme de alcança-la, onde o impulso de raiva é o que lhe dá energia para continuar na luta, da mesma forma que um empresário, que está em uma fase ruim, onde diminuiu o número de clientes, ou alguém que está desempregado, que tem que buscar do seu interior uma energia de luta, para ir atrás, conquistar um emprego, tomar mais clientes, para então trazer o alimento para casa, que para nós inicia pela conquista do dinheiro. 

            Por isto muitas pessoas acabam entrando neste processo de irritabilidades, dificuldade em controlar seu humor, enquanto estão passando por uma fase de preocupação financeira, de busca em tomar o alimento para levar para casa, principalmente para aqueles, que apresentam filhotes em casa que esperneiam pela fome e por objetos que saciem seu apetite alimentar e mental, anseios e desejos.  

            Claro que nem todos respondem da mesma forma, alguns liberam esta raiva de busca, enquanto outros se deixam abater pela culpa da incapacidade, que traz a tristeza, desmotivação e etc., mas estes detalhes deixamos para outro artigo. 

            A segunda questão principal relacionado a irritabilidade que falei anteriormente é o contexto de confrontamento a um inimigo que adentra aos limites do meu território. Você já deve ter visto que um cachorro, ao sentir a ameaça de um outro animal entrando em seu território, em seu jardim, ele começa a latir, para expulsar o adversário e você já percebeu que o ser humano faz a mesma coisa? Alterar a voz para confrontar quem está se opondo a sua idéia, a quem impõe que faça algo que não quer fazer. Pode se irritar quando alguém quer dar palpite no seu trabalho, ou sobre a família, passando dos limites, adentrando ao território.          

            A ação impulsiva se torna uma proteção inconsciente, para que não se perca o controle da situação, do território, não tendo que ceder a situações, informações ou direcionamento que são incômodos a nós. São frequentes as situações de confrontamentos conjugais ou mesmo entre pais e filhos que representam uma ameaça ou simplesmente uma falsa ameaça, que faz com que o impulso da raiva, sem a compreensão do motivo real dela vir, desestruture famílias, empresas e rompa laços. 

            Por isto, quando a raiva vir, analise os fatos, qual o motivo real deste sintoma aparecer, e tome o caminho da utilização desta energia como motivação para chegar ao seu objetivo, e não como um ato destrutivo para gerar problemas nas interrelações ou mesmo na raiva a si mesmo. 

 

Dr. Ivan Bonaldo (Crefito 8/99696-F)

Fisioterapeuta e idealizador das Leis Biológicas Experience

 

Terça-feira, 12 de Novembro de 2019
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